26/05/2022 às 23h39min - Atualizada em 26/05/2022 às 23h39min

Maricá cria sua primeira empresa de biotecnologia

A Prefeitura de Maricá lançou a Biotec Maricá, primeira empresa de biotecnologia na cidade, nesta quarta-feira, 25, em solenidade na sede da Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar). 


Numa aposta que aponta para o futuro sustentável, a empresa de biotecnologia vai transformar produtos naturais em sustentáveis. Serão plantas, medicamentos e cosméticos sem qualquer tipo de aditivo químico e produtos agrícolas, que serão transformados em alimentos saudáveis usando tecnologia de produção orgânica.


A empresa pública, que também é responsável por fomentar o setor de produção com uso de biotecnologia na região, já nasce com duas entregas expressivas: a criação de camarões para consumo local/exportação e a farmacopeia – laboratórios para criação de medicamentos a partir de plantas medicinais que começam a ser construídos no segundo semestre deste ano.


“Os novos empreendimentos têm como objetivo central gerar mais oportunidades, empregos e bem-estar para o nosso povo. Por isso, solidificar esse objetivo com ações práticas é fundamental. Além de gerar renda, a Biotec vai fomentar todo um setor que cresce a cada dia no país e no mundo, apostando no uso dos recursos naturais sustentáveis para produzir alimentos, remédios, cosméticos e, por fim, riqueza e prosperidade para a cidade”, afirmou o prefeito Fabiano Horta.


“Maricá vem diversificando a sua base econômica, criando eixos de desenvolvimento e resgatando as suas origens e vocações. Aqui nasce uma empresa que é resultado dos projetos que estão dando certo na cidade. Nós criamos uma subsidiária que vai liberar todos esses projetos e que vai trabalhar a questão agroalimentar, a segurança alimentar, a produção de remédios, cosméticos, fitoterápicos a partir de produtos naturais”, afirmou o presidente da Codemar, Olavo Noleto.


Presente na solenidade, o secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca, Julio Carolino, expressou a emoção em caminhar junto com a Codemar na construção desse projeto, uma vez que o polo produtivo e de pesquisa da produção de camarões será instalado na Fazenda Pública Municipal Joaquin Piñero, no Espraiado.


“É aquele sentimento que o coração transborda de alegria. Eu, que sou neto de agricultor, ver a minha cidade avançando dessa forma na agricultura e na pesca, é algo que nos orgulha. Fico feliz em ver a nossa fazenda pública que no passado era apenas um sonho e que hoje se tornou realidade”, disse.


Produção de Camarões


A linha de produção de camarão está com parte da estrutura pronta. Com terraplanagem já feita, o polo produtivo e de pesquisa está sendo instalado na Fazenda Pública Municipal Joaquin Piñero, no Espraiado. Serão dez tanques, cada um com capacidade de 450 mil litros, que vão produzir duas toneladas de camarão a cada despesca (três por ano). Ao todo, serão 60 toneladas de camarão por ano.


“Começaremos a povoar os tanques com os camarões no final de julho e início de agosto e teremos três meses para a primeira despesca, com previsão da primeira produção em outubro. O mesmo microorganismo que estamos usando para revitalizar a lagoa será colocado na água, limpando os resíduos dos camarões. Isso vai garantir que toda a produção tenha um reaproveitamento sustentável de água, sem a poluição que tem os outros métodos de produção convencional de camarão”, explica Olavo Noleto.


Além disso, o município ainda terá um método de pesquisa com 20 tanques menores de 500 e 1000 litros para fazer experimentos. “A ideia aqui é que os pequenos produtores possam ter sua produção caseira, com os tanques sendo instalados na casa das pessoas, utilizando o mesmo método biotecnológico na produção de menor escala”, afirma Noleto.


Até o final do ano, o Centro de Inovação e Aquicultura de Maricá (Ciamar) estará completamente instalado, composto pelos 10 tanques de produção, 20 tanques de pesquisa, uma fábrica de ração e um frigorífico moderno construído com todos os critérios necessários para o Selo de Inspeção Federal (SIF), que atesta a procedência e os cuidados tomados durante o processo de industrialização do produto, onde o município poderá vender e exportar o camarão.


Farmacopeia


Na Farmacopeia, será montado um arranjo produtivo de plantas medicinais, onde os agricultores locais serão orientados pela Biotec a cultivarem 20 plantas selecionadas por professores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ, numa parceria com o município, que darão origem a remédios para abastecer o Sistema Único de Saúde (SUS). Além da produção de remédios naturais para humanos, a Farmacopeia de Maricá será a primeira no Brasil a produzir medicamentos de uso veterinário para combater parasitas e ansiedade dos animais.


“Maricá vai se tornar uma referência com um polo de biotecnologia no Brasil, especializado em Farmacopeia. Temos a intenção de produzir, por exemplo, repelentes para as pessoas que moram no entorno da lagoa sem nenhum tipo de aditivo químico. Vamos trabalhar com uma tecnologia que produz vida”, destaca Noleto.


O diretor-presidente da Biotec Maricá, Eduardo Britto, disse que será feito um cadastro etnobotânico para identificar as plantas medicinais que existem em Maricá e quais são utilizadas pela população.  “A partir deste tipo de plantas, poderemos desenvolver remédios mais baratos e mais eficientes dos que existem no mercado”, explicou.


Programa Maricá Mais Oportunidades


Outro eixo de atuação da empresa é o programa Maricá Mais Oportunidades que criará duas linhas de fomento para a agricultura local: plantas medicinais e cogumelos para abastecer os laboratórios com cultivo de tomate para merenda escolar e comercialização nas feiras agroecológicas; e o Programa de Integração Setorial, com apoio para os setores econômicos em dificuldades.


“A partir do Programa de Integração Setorial vamos garantir capital de giro para as cooperativas de costureiras produzirem toalha de mesa, avental, guardanapo de pano, que servem para o setor alimentar (restaurantes, padarias), que é o que mais emprega na cidade. Faremos um contrato para que esses estabelecimentos comprem mais barato das costureiras. Assim, ligamos os pontos soltos da rede do setor econômico do município para gerar muita renda”, reforçou Eduardo Britto.


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